DIÁRIO DE BORDO · CARAÍVA 2024
Caraíva 2024 — Dia 2: de Vitória à vila
Segundo dia — enfim, Caraíva
Rodamos 510 km em 9 horas e 39 minutos.
Queridas filhas,
Despertamos por volta das 5 horas, ainda com o cansaço do dia anterior, mas animados pela promessa de um novo capítulo. Depois do banho e do café servido às 6 horas, organizamos o carro e partimos do hotel às 7h40.
Ainda em Vitória, abastecemos e compramos gelo. A saída da cidade nos presenteou com belas vistas e logo entramos na via de contorno que nos conduziu novamente à BR-101. Em muitos trechos, as pistas estavam duplicadas e a paisagem era marcada por montanhas e grandes formações de pedra.
O Buda de Ibiraçu
Após aproximadamente 61 km, seguindo a recomendação do nosso amigo Fábio Pinheiro, vimos a grande imagem do Buda no Mosteiro Zen Morro da Vargem, em Ibiraçu. A escultura e o ambiente transmitiam serenidade. Fizemos fotos, conhecemos um pouco da história do lugar e levamos uma pequena imagem como lembrança.
O trabalho ligado ao mosteiro, incluindo a cerâmica e o artesanato de inspiração japonesa, mostrou como generosidade, disciplina e beleza podem transformar um espaço e contribuir com a comunidade. Foi uma parada que trouxe silêncio e sentido para a viagem.
Linhares, São Mateus e a entrada na Bahia
Por volta das 11h39, já próximos de São Mateus, paramos para abastecer e almoçar no Posto Eko — Churrascaria Sabor do Sul. O almoço foi muito bom e renovou nossas energias.
Até ali, o percurso havia sido tranquilo e bonito. A passagem por pequenas cidades, comércios e lojas de artesanato revelava novas camadas da cultura local. Linhares chamou nossa atenção por sua paisagem mais plana e pela presença do grande rio. São Mateus nos surpreendeu pela estrutura e vitalidade.
Depois do almoço, seguimos para a Bahia. Em Teixeira de Freitas, cidade que já conhecíamos, encontramos uma estrutura urbana muito diferente de nossa lembrança. Paramos no Atacadão para recompor os suprimentos antes da etapa final. Enquanto Cinthia e Clara faziam as compras, aproveitei para alongar o corpo, que já sentia os 1.182 km acumulados.
Na Bahia, a estrada duplicada ficou para trás. O caminho passou a exigir mais atenção, com trânsito de caminhões e poucas oportunidades de ultrapassagem. Ao mesmo tempo, o relevo e a vegetação criavam uma paisagem de enorme beleza.
Saímos de Teixeira de Freitas por volta das 15h53. Em Itamaraju, paramos para abastecer e vimos o Monte Pascoal se destacar no horizonte, como um marco anunciando que a chegada estava próxima.
A estrada de terra e o abraço da chegada
Ao entrarmos no distrito de Monte Pascoal, já no entardecer, o asfalto deu lugar à estrada de terra. Os solavancos e a escuridão aumentaram a ansiedade, mas continuamos com prudência. A beleza estava ao redor, embora naquele momento nossa atenção estivesse quase toda voltada a encontrar o destino.
Às 19h29, chegamos à casa da minha irmã. Cinthia, que havia estudado o caminho pelo Google Street View, ajudou a reconhecer as ruas da vila. Fomos recebidos com carinho por Érika e Rômulo, e cada dificuldade dos dois dias de estrada pareceu ganhar sentido naquele abraço.
Ainda naquela noite, fui à praia devolver ao mar uma guia que Érika havia me presenteado e que se rompera no fim de 2023. Para mim, foi um gesto de gratidão, encerramento e renovação espiritual.
Reflexão do segundo dia
No segundo dia de nossa jornada, as estradas e os horizontes desconhecidos me ensinaram sobre a liberdade de viver alguns dias sem as amarras do cotidiano. Cada quilômetro era uma pequena conquista de autonomia. Encontrei felicidade nas paisagens, nos encontros e nas coisas simples do caminho.
Com o sol se pondo, compreendi que a liberdade interior não depende apenas da distância percorrida, mas da capacidade de abrir espaço dentro de nós para a alegria e o inesperado.
“No segundo dia de nossa jornada, descobrimos que a verdadeira liberdade é o combustível da alma, e a alegria de viver é a estrada que nos leva à plenitude.”
Com todo amor,
Papai e Mamãe
